
O Lugar:
O que é um lugar?
Mais do que um espaço físico, ele é uma ideia. Uma lembrança de algo real que, mesmo baseado em um território concreto ou pavimentado pela natureza, só existe plenamente em nossas mentes através da memória.
Por isso, podemos já ter estado em um mesmo lugar — até mesmo juntos — antes de nos conhecermos pela marca. Compartilhamos recordações de nossas casas, nossas cidades, nossa pátria e de outros países, e ainda assim elas nunca coincidem completamente. São, ao mesmo tempo, imagens coletivas e individuais. Imagens que nos moldaram como indivíduos.
É justamente por isso que, seja em Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro ou Portugal, todos são atravessados pela mesma lógica. No fundo, todos eles, citados ou não, tornam-se imaginários. São lugares de faz-de-conta, reconstruídos pela memória.
Entretanto, nem todos têm sequer a possibilidade de reconstruir. Há pessoas expulsas de suas casas, forçadas a migrar e a criar vínculos com o desconhecido. E há ainda aqueles que não possuem nada, nem mesmo a imagem de um lugar na cabeça.
Assim, enquanto marca, encontramos múltiplos sentidos na palavra “lugar”. Mas entre todos eles emerge um mais íntimo e inquietante: nosso lugar no mundo.
Ainda há um lugar para nós aqui, neste plano ou em outro?
Com o tempo, emoções se dissolvem e locais são esquecidos. Talvez não haja outro Farol de Alexandria para nos iluminar, nem uma Tróia para queimar, muito menos um baile na Ilha Fiscal para celebrar.
Ainda assim, resta a possibilidade de um território imaginário, um espaço que possamos criar, onde construiremos lembranças juntos e viveremos nossas antologias.
É desse gesto que nasce o segundo tema da Souedo.
Esta é a história que iremos contar e o lugar que iremos construir e para revelar as vidas que existem dentro dele.