Os estilistas são os autores por trás das histórias que as roupas contam. Para criar uma antologia na moda, eles precisam combinar criatividade com pesquisa cultural, resultando em peças que evocam sentimentos e reflexões. Esses profissionais atuam como narradores visuais, utilizando tecidos, cortes e texturas para comunicar ideias. A contação de histórias através do design não se limita apenas à escolha estética; ela envolve também a inclusão de significados profundos, que ressoam com o público em nível emocional.

Criar moda é como tecer uma rede. Cada fio, cada nó, cada detalhe na construção de uma peça carrega em si a intenção, o cuidado e o significado de quem a cria. Assim como o pescador que constrói sua rede com precisão para capturar um peixe especial, o estilista utiliza suas ferramentas para capturar histórias, emoções e identidades. Cada peça é mais do que uma construção estética; é uma tentativa de capturar algo raro — o equivalente ao conceito de “peixe-dourado”, explorado por Peter Brook em alguns de seus ensaios, que transcende o funcional e se torna simbólico.

Exemplos incluem coleções que homenageiam eventos históricos ou exploram temas como sustentabilidade, conectando passado, presente e futuro. Cada peça é uma ponte lançada ao vasto oceano da cultura, conectando o mundo cotidiano a novas perspectivas. Essa negociação constante entre técnica e intuição é o que transforma a moda em uma forma de expressão artística e cultural.

Para a Souedo, a criação tem como pilares três grandes campos artísticos: a fotografia, a escrita e a moda. Não obstante, o teatro também acaba sendo um de seus pilares. Um quarto pilar, assimilado pela marca por ser o local de inúmeras antologias, vestíveis ou não. Lá é onde o ator, o diretor e o cenógrafo precisam trabalhar em sintonia para dar vida a uma performance, assim como a moda: tecidos, texturas, cortes e cores devem dialogar entre si para contar histórias que ressoem tanto com a individualidade do criador quanto com a coletividade do público.

No final, o objetivo não é apenas produzir roupas belas ou funcionais, mas capturar algo mais profundo: um reflexo do espírito do tempo, uma narrativa que nos faça sentir, refletir e questionar.

A moda, como uma rede lançada ao mundo, não apenas veste, mas também revela. É nessa interseção entre técnica e significado que ela se torna verdadeiramente transformadora no palco de nossas vidas.

 

Peter Brooks feita pelo fotografo Michael Ward